A Maldição de 2012.

Estava preso há vários séculos por incontáveis crimes cometidos em uma vida miserável, não havia um único dia o qual não fosse desdenhoso como a minha maldita passagem por este plano. Acordava, aguardava, comia, odiava, arrumava as partes inorgânicas do corpo e voltava a dormir. Não havia nada pior do que viver – eu disse viver?! – em uma sala branca e bem iluminada com um projeto de cama e de banheiro agrupados e estes atrás de um campo de força, isolando o prisioneiro e deixando-o sem chances de escapar, tornando a estadia totalmente indigna, vários já cometeram suicídio – e até mesmo isso é difícil de ser praticado – mas evitavam que objetos perigosos ou situações análogas estivessem por perto ou se realizassem.

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Sala Fechada.

Estavam os setes estirados pela sala, as janelas forneciam aos seus corpos o calor necessário através de uma luz aconchegante, enquanto da porta vinham senhores de diferentes vestimentas, sempre trazendo o que comer, beber e pensar.

Viviam assim a não sabe-se quanto tempo. E já haviam construído e crescido muito, estantes guardavam livros, pinturas incrementavam as paredes, camas e tabuleiros os descansavam e os divertiam, e todo esse material obtido a partir dos insumos fornecidos pelos senhores de diferentes vestimentas.

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Olhos Vermelhos.

[Recentemente conversando com minha namorada sobre o aoLimiar, esta me diz que escrevia contos no passado, ela então me enviou o inicio de um deles, o qual eu tive a idéia de continuar, e pedi para ela fazer o mesmo, eis o resultado, duas histórias com inicio semelhantes, mas com o desenvolver totalmente diferente, acessem o conto dela no link: Um Mistério, um Velório e um Casamento, boa leitura!]

Era 21 de Agosto de 1885, todos estavam eufóricos com a inauguração da nova biblioteca da cidade, todos os moradores estavam lá para prestigiar esse momento tão solene e importante, porém, o que ninguém sabia era que nem todos estavam lá.

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Essencial à Vida, Essencial à Morte.

Uma lágrima escorreu sobre o seu rosto, Isabella ergueu o olhar para o espelho e viu o resultado do tempo que ficou deitada em sua cama, seu rosto estava amassado e seus cabelos negros estavam despenteados, levou o lenço à lágrima e a secou.

Uma leve brisa tocou seus cabelos e acariciou as cortinas de seu quarto, olhou através da janela e viu o fruto do desenvolvimento de sua época, um céu acinzentado devido às torres de gases produzidas pelas indústrias, dirigíveis e balões de ar quente cortando o céu, navios atracados no porto e automóveis ao longo das estradas transportando seus senhores, todo aquele maquinário emitindo de alguma maneira aquela fumaça cinzenta.

_ Como ousa querer frear todo o desenvolvimento da humanidade, acabar com o seu próprio sustento e a fonte de renda que lhe concedeu o estudo que tens hoje? É assim que pretende agradecer-me, eu sabia que não devia tê-la enviada para a Europa para estudar, mas sua mãe insistiu, para então voltar cheia de ideias absurdas. Sorte tenho eu de ter ao meu lado Lorde Veiga, o qual retornará de seus estudos em São Paulo para nos ajudar.

Essas foram as palavras de seu pai, Sr. Addo Gregório, dono da maior parte do parque fabril de Desterro, produzindo ferro para a criação das mais novas Maria Fumaças, aperfeiçoamento de sua autoria, a qual transportaria para o continente suas mercadorias, pois também atuava em outros setores, para o continente com maior velocidade e segurança.

Lorde Veiga, o qual seu pai tinha tanto orgulho, é seu genro, também conhecido por Augusto Veiga. Isabella e Augusto estavam casados há seis anos, um belo casal, conheceram-se numa viagem de dirigível, quando ele a convidou para uma dança.

Augusto regressava de São Paulo de trem, promovendo a indústria que seu sogro erguia. Isabella ouviu ao longe o som do apito da Maria Fumaça, sabia que seu amado havia chegado, quando uma de suas empregadas bate na porta de seu quarto avisando da chegada de Augusto, conforme previra.

Foi até o banheiro e começou seus preparativos estéticos para ocultar sua tristeza, não queria preocupar Augusto com seus pensamentos, embora soube-se que iriam informa-lo, mas não da maneira que ela queria, havia visto casos semelhantes na Europa.

Escolheu seu melhor vestuário para agradar seu marido, colocou um vestido branco cheio de rendas, junto com um xale vermelho sobre o ombro, além de utilizar uma fragrância para captar a atenção de seu amado.

Dirigiu-se até a sua carruagem, pois não havia se acostumado aos modernos automóveis a vapor, além do fato de poucos poderem manter carruagens tão luxuosas, seu pai insistiu em manter o antigo meio de transporte para ela. Ao menos, nisso, concordavam.

Ao chegar à Estação Ferroviária Maria Gregório, nome dado em homenagem a sua mãe, desceu da carruagem e olhou mais uma vez para o céu, ainda estava cinzento e morto, começou a divagar, mas seus pensamentos foram interrompidos por uma voz familiar, chamando pelo seu nome. Virou seu rosto e lá estava Augusto Veiga, descendo as escadarias para abraça-la e beija-la.

Enquanto se abraçavam, uma lagrima ameaçou escorrer pelo seu rosto, mas a conteve, e em meio a todas as suas emoções, ambos tiveram pensamentos semelhante, pois haviam tentado ter um filho há anos, e quando ela engravidou, ela deu a luz a uma criança morta.

Porém o pensamento dela terminava pensando no ar, o respirava, e este circulava através de seu corpo de maneira a ser essencial a sua vida, as suas criações, e no fim, foi essencial à morte, pois este estava infectado e sujo.

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